Monthly Archives fevereiro 2018

EXPERIMENTE: Inúmeras pessoas rendidas aos pés de Cristo!

07/02/2018
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Após o CIMA, que aconteceu dos dias 20 a 26 de janeiro, em Demerval Lobão (PI), foi a vez dos participantes colocarem em prática tudo o que aprenderam nestes dias de evento. O EXPERIMENTE é uma prática missionária que visa treinar e capacitar para missões. Este ano, os inscritos tiveram um leque de opções, dentre eles, a Aldeia Indígena em Barra do Corda (MA), Nazária (PI), Povoado Vista Alegre (Altos-PI), Teresina e zona rural de São Raimundo Nonato (PI).
Quem optou pela comunidade Nova Zabelê, na zona rural de São Raimundo Nonato, além de poder desfrutar das belezas da Serra da Capivara, ainda teve muitosdesafios e principalmente bênçãos para contar. É o caso da piauiense Virgínia Magalhães. “O Experimente foi uma experiência rica e cheia de desafios Foi maravilhoso. Visitamos umas 70 pessoas e 29 aceitaram a Jesus. Sentimos a presença de Deus e Ele nos capacitava a fazer a Sua obra. Graças a Deus, as pessoas daquela comunidade eram muito receptivas, nos recebiam com muito carinho e isso facilitou nosso trabalho”, disse.

A curitibana Isadora Damásio, da Igreja Batista Maranata, desfrutou de momentos de intensa comunhão com sua equipe e viveu experiências valiosas. A localidade escolhida foi o povoado quilombola Peri Peri, em Amarante (PI): “O CIMA 2018 foi um presente, principalmente como é ser um missionário, saindo do nosso conforto, indo a outra cultura e falar do amor de Jesus. Após o tempo de estudos e ministrações tivemos oportunidade de viver uma experiência prática. Éramos sete pessoas e foi incrível a forma como Deus nos aproximou ao ponto das pessoas do povoado verem algo diferente em nós através de uma amizade sincera e verdadeira. Na verdade, Deus usou isso como forma de evangelismo e muitas pessoas foram tocadas pelo amor cristão que nutrimos uns pelos outros”.
Como estratégia de evangelismo, nada melhor do que o próprio testemunho para sensibilizar e impactar vidas. E foi isso o que a equipe usou como ferramenta para missões: “Usamos nosso testemunho como ferramenta principal. Fomos de casa em casa orar pelas pessoas e apresentar a elas o evangelho por meio do livro sem palavras. Para a glória de Deus, 12 pessoas foram salvas e declararam Jesus como Senhor e Salvador, mas houve uma pessoa em especial que mexeu bastante com toda a equipe. Trata-se de uma adolescente de apenas 13 anos que mostrava ter uma bagagem muito grande de sofrimento, que a princípio não estava muito aberta para o evangelho, mas Deus tocouo seu coração ao ponto dela vir até nós e assim compartilhar o fato de que, como nós, apesar do pouco tempo de convivência e já termos um laço de amizade tão profundo. Isso tocou no coração dessa moça e com base nisso, aproveitamos para falar do amor de Deus, pois ela se sentia abandonada. Deus nos usou para falar do amor de Jesus e ela aceitou o Senhor como Salvador de sua vida. Sem dúvidas, Deus nos abençoou e cuidou de tudo a todo o momento. Pessoas viram Jesus em nós sem ao menos precisarmos abrir a boca. O trabalho foi tremendo”, informou.

A jovem Letícia da cidade residente do município de Taió, em Santa Catarina, viu em Teresina (PI) um grande potencial para fazer missões. O bairro escolhido foi Nova Teresina, conhecido pelos inúmeros assaltos, homicídios, prostituição e drogas, devido à escassez de um policiamento mais eficaz. Mas isso não abalou a equipe, que como todo missionário que arde de paixão por Jesus, ouviu e obedeceu ao IDE de Cristo: “Conheci o CIMA através do Vitor e sua esposa Débi e imediatamente meu coração queimou por isso. Inscrevi-me para as duas etapas, Descubra e Experimente. Foram 6 dias intensos com treinamento e palestras de capacitação em missões, Música e Missão, Evangelismo pessoal e vários outros temas relacionados à vida cristã e missões. Depois disso, seguimos para a Etapa Experimente. Minha Etapa Experimente teve duração de 05 dias e ocorreu em Nova Teresina, bairro muito carente de Teresina/Piauí. Fomos acompanhados pelo Pr. Pedro Farias da ADM de Nova Teresina e pudemos ver o quanto aquelas pessoas precisam conhecer e viver o amor de Deus. Lá o tráfico de drogas é intenso e a prostituição também. As casinhas são de sapê e as condições de vida são precárias, literalmente precárias. Quantas histórias, quantas pessoas presas no vício das drogas, sem condições para nada!”
A jovem ressaltou a importância de se compreender a cultura de um determinado local para uma melhor eficácia no evangelismo: “Tudo que vi e vivi nestes dias transformou minha visão de mundo. Pude compreender o quanto uma cultura é diferente da outra e o quanto devemos e precisamos respeitar isso pois só assim conseguiremos responder ao IDE da melhor forma. Proclamamos o evangelho em muitos lares e fomos recebidos com muito amor em praticamente todas as casas que visitamos. Só tenho a agradecer a Deus pela experiência, por Ele permitir que levássemos o evangelho a cada pessoa que conversamos enquanto estivemos lá. Valeu a pena cada segundo, fica a gratidão em ver o quanto Deus tem feito através do Pr. Pedro, ver o quanto ele doa sua vida para ajudar as pessoas daquele bairro. Todo cristão deveria passar por uma experiência assim, espero que para mim, este seja apenas o começo!”, disse.

O povoado Vista Alegre, localizado na zona rural de Teresina, também pôde experimentar do amor de Deus através do trabalho dos missionários. O pastor Anderson Rosa, de Santana de Parnaíba (SP) descreveu momentos de carinho e de aprendizagem durante CIMA e Experimente: “O evento em si foi maravilhoso. Minha equipe era composta por cinco pessoas e tivemos muita harmonia, uma comunhão muito grande para desenvolvermos todo nosso trabalho. Logo no primeiro dia, presenciamos testemunhos fortes de pessoas que passavam por dificuldades financeiras e que perderam seus entes queridos. Todos foram muito atenciosos, nos receberam muito bem. O Wesley se desenvolveu muito bem como palhaço, a Samia com sua desenvoltura com crianças, a Valdelícia também e pastora Mary Rosa com visitas e teatro. Crianças aceitaram a Jesus, pessoas foram tocadas de uma forma maravilhosa. No ultimo dia, a nossa casa ficou lotada de jovens , adolescentes e crianças.Ficamos cantando e conversando. Foi muito choro e muito carinho. É um povoado que precisa de muita atenção, mas graças a Deus o pastor Davi está desenvolvendo um bom trabalho ali. Agradeço a Deus por participar de um evento como esse e recomendo a todos que participem pois assim entendemos o que é realmente missões”.

 

Para quem deseja participar do CIMA temos uma ótima notícia. A novidade é que em 2019, teremos dois CIMAs. Isso mesmo! Um deles acontecerá em São Paulo, dos dias 12 a 18 de janeiro; o outro, ocorrerá novamente no sítio Rancho da Lua, em Demerval Lobão dos dias 21 a 27 de janeiro. Aproveite então, e comece logo a preparar-se para estes dias que com certeza serão de grande enriquecimento espiritual para sua vida e ministério.

 

 

Ismênia Noleto

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A contribuição de igrejas fortes para a evangelização do Sertão.

07/02/2018
de Davi
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Durante os últimos 20 anos a igreja brasileira cresceu numericamente de forma rápida e assustadora. Novas igrejas e Ministérios nascem a cada canto e lugar do país, buscando uma forma de “ser igreja” diferente da estrutura herdada, focando em responder as demandas e necessidades da geração do século XXI. As motivações para o crescimento e desenvolvimento podem ser questionáveis em alguns aspectos, mas é fato de que novas comunidades estão surgindo, se organizando e fortalecendo.

O “boom” desse crescimento trouxe problemas. O primeiro é a falta de um discipulado consistente e coerente com a proposta bíblica. Uma multidão de pessoas vindo a Cristo sem receber a orientação básica para a vida cristã, crescendo “aos trancos e barrancos”. Alguns não suportam as dificuldades da “nova vida”, suas “guerras”, “batalhas” e atropelos; e o inevitável acontece: desviam-se! O número hoje de “desviados” ou “sem igreja” pontua a quase 30%. O segundo é o despreparo da liderança espiritual. A demanda do crescimento impede o aperfeiçoamento no campo teológico, pessoal, familiar, ético, eclesiástico e organizacional. Alguns nem podem buscar a capacitação por falta de informação, distância geográfica ou recursos financeiros. O terceiro é o foco “ensimesmado” das novas igrejas. Elas buscam desesperadamente crescer e manter esse crescimento. São por vezes alimentadas na busca do “sucesso ministerial” espelhado na visão do pastor “x”, da igreja “y” ou do ministério “tal”. O frenesi é tanto que as novas igrejas e ministérios não conseguem ir além de si. São ainda “bebês” e óbvio, não podem dar, porque precisam desesperadamente receber.

Em contra partida, há uma igreja sólida, forte, robusta, madura e preparada no Brasil. Sua linha é bíblica; sua liderança é capacitada; seus ministérios são “vivos”, coerentes e equilibrados; sua visão é de mão dupla: “pra dentro” e “pra fora” (da igreja). São igrejas que vão além de si. Descobriram o “reino”. Estão prontas a estabelecer parcerias e desenvolver projetos além das estruturas denominacionais ou ministeriais. Entenderam o valor de “dar”. Essas igrejas não são muitas, mas estão despontando com seus ministérios e servindo.

Há uma outra foto da igreja brasileira: a igreja pobre! Aquelas cujos líderes dão de si, sem terem muito. Que saem de longe a pé ou no lombo de um animal para dar assistência espiritual aos que precisam. São igrejas que não sonham em ser grandes (na verdade nem pensam nisso) ou ser destaque na mídia evangélica. Igrejas que apenas querem o mínimo para ministrarem por serem literalmente “pobres.” Igrejas que precisam de bíblias, folhetos, roupas, livros, treinamento e mobilização missionária.

São igrejas que vivem e sobrevivem no anonimato, longe das reportagens de “magazines” evangélicas; longe dos sites; longe dos murais das grandes igrejas e ministérios. São igrejas muitas vezes esquecidas por suas denominações. São igrejas cujos membros gastam horas a pé para receber uma mensagem de Deus para suas vidas. Igrejas cujas crianças não possuem nenhuma “tia” capacitada para lhes ensinar. Igrejas que não têm material didático para crianças, jovens ou adultos. Igreja cujos membros não sabem nem ler e por isso a Bíblia é um livro escondido para suas mentes e corações.

São igrejas sertanejas; igrejas no sertão do nordeste brasileiro. Um exemplo é a igreja de “Vila Carneiro” no sertão baiano, cujo o obreiro é vendedor, mas sua pequena igreja mantém uma pequena congregação em “Lagoa da Vaca”, no sertão do sertão baiano. São igrejas no sertão do Maranhão, Piauí, Ceará, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba e Bahia. Igrejas no interior de tantos outros lugares do Brasil desconhecido.

A esperança de várias igrejas do sertão nordestino são suas “irmãs” mais abençoadas. Essa oportunidade de abençoar essas igrejas do sertão, é algo bíblico. Paulo nos dá o exemplo em 2 Coríntios 8.1-9.15 quando fala da coleta de dinheiro para os crentes pobres de Jerusalém. Ela cita essa coleta em 1 Coríntios 16.1-4. Paulo considerava que o ofertar material era uma forma espiritual de reconhecer que o evangelho chegara até eles por meio dos judeus cristãos. Paulo queria resgatar essa dívida e estimulava a igrejas, baseada na graça, ou seja, na benção que Deus lhes havia dado (2 Co 8.1) para que pudessem ser generosas e abençoar quem os abençoara.

Há alguma aplicação desse princípio para nós hoje? Acredito que sim. Muitas igrejas fortes nas capitais do nordeste, no centro-oeste, sudeste e sul do Brasil conseguiram crescer e desenvolver graças a um grupo migratório do sertão do nordeste. Diversos líderes e pastores desenvolveram sua formação teológica e não permaneceram em suas origens, não porque não quisessem, mas porque as condições familiares econômicas não permitiram. Não só o Brasil desenvolveu economicamente graças ao trabalho migratório do sertanejo, mas também boa parte da igreja brasileira sadia. Há um débito da igreja forte brasileira para com a igreja pobre e sertaneja.

Para “pagar” esse débito espiritual acredito que devemos começar com líderes espirituais de igrejas fortes e estabelecidas nas capitais do nordeste. Essa é a primeira consciência. Os olhos desses líderes precisam voltar para seus irmãos no sertão. Recordo-me de um pastor em Belo Horizonte dizendo-me que estava plenamente envolvido com igrejas no Vale do Jequitinhonha (uma região muito pobre e miserável em Minas Gerais) porque uma parte de seus líderes que serviam fielmente a igreja vieram daquela região. Acredito que o caminho seja esse. A liderança dessas igrejas deveria estar consciente desse débito, mapear sua igreja para saber a origem de sua membresia, organizar um plano definido para abençoar a igreja sertaneja e estabelecer parceria (denominacionais ou não) com outras igrejas. E fazer o trabalho. Estou certo de que haverá um forte impacto na igreja.

Artigo de Roberto Amorim retirado do livro “O Grito do Sertão Nordestino”,  organizado pelo pastor Beat Roggensinger

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