Beat e Úrsula Roggensinger: exemplos de abnegação e dedicação ao Senhor!

06/04/2018
in Blog

Cultos de despedida marcarão o encerramento de suas atividades no Brasil

O casal Beat Roggensinger e Ursula Roggensinger encerra seus trabalhos no Brasil e retornam para Suíça no dia 31 de maio. Para homenagear o casal de missionários, será realizado no próximo dia 14, culto de despedida na Igreja Cristã Evangélica, em Colônia do Gurguéia, no Piauí. Dia 12 de maio, será o culto de despedida em Demerval Lobão (PI).
Foram 30 anos dedicados ao serviço missionário no Sertão. E não foram anos muito fáceis. Como todo missionário, o casal enfrentou muitos desafios e dificuldades, como também, foram muitas as vitórias e bênçãos conquistadas. Na Suíça, o casal permanecerá divulgando as necessidades reais do Sertão e engajando missionários para se envolverem com a obra.
Antes de tudo, vamos falar um pouco desse casal que desenvolveu um ministério com excelência no Brasil e que, por onde passa, semeia amigos, carinho, amor e generosidade. Na entrevista, o casal vai nos contar um pouco sobre ministério, projetos e família. Confira:

1. Sabemos que vocês são também palestrantes sobre assuntos de família e nada melhor como a experiência de vida para ensinar melhor. Como pais de três filhos, como foi a criação de seus filhos em terra estranha, sem nenhum parente por perto para auxiliar e que conselhos dariam aos pais de primeira viagem que passam pela mesma experiência que um dia passaram?
Beat: O problema era que nos faltou às vezes uma avó para cuidar dos filhos, principalmente quando a gente quis passear. E outro desafio era que os pais brasileiros achavam que nós, estávamos criando os nossos filhos de forma errada.
Ursula: É verdade, os parentes fizeram falta, mas tínhamos a nossa família brasileira aqui. Para nós foi importante não isolar os nossos filhos, ele brincaram com os vizinhos, as crianças da vizinhança brincaram em casa. Nossos filhos até dormiram na casa de amigos enquanto fizemos uma viagem de trabalho. Confiamos que Deus cuida dos nossos filhos e os nossos amigos brasileiros adotaram a gente como membros da família deles. Isso foi e é uma experiência tão especial! É uma grande benção para nós.

2. Deixar sua terra natal, seus parentes, casa e amigos não é algo fácil. Requer muito amor pela a obra e principalmente, sentir realmente o chamado de Deus. Para vocês, quais foram as maiores dificuldades enfrentadas nesse período? O que foi realmente mais desafiador?
Beat: Primeiramente era o português, ou seja, a comunicação, mas também, questões culturais, ou seja, nós fomos criticados quando ensinávamos princípios bíblicos, pois isto no Brasil não funciona por ser uma cultura diferente. Hoje, vencidas estas dificuldades a gente reclama da falta de mudanças (desenvolvimento) por conta de uma mentalidade que não permite mudanças.
Úrsula: No começo a maior dificuldade foi a língua, a de não sabermos nos expressar bem. Não tínhamos telefone em casa nem existia celular. Depois, chegou o tempo que os filhos com 7 anos de idade tinham que estudar em Belém (1500km longe da gente). Hoje em dia, um desafio são os nossos pais velhos e doentes.

3. Assim como as dificuldades, as bênçãos também são inúmeras. Relate-nos algumas das experiências missionárias que mais lhes marcaram.
Beat: Fundamos algumas igrejas, mas o que nos ainda mais alegra é que a escola do ensino fundamental até hoje está funcionando, e isso, sem ajuda de fora. De vez em quando, aparece um ou outro se apresentando como fruto do nosso ministério. São pessoas que a gente conheceu na infância e adolescência, e que hoje, são seguidores fiéis de Cristo. Segundo relatos delas, fomos nós quem semeiamos a Palavra em seus corações.
Úrsula: Primeiramente, nós sabemos que estamos aonde Deus nos colocou, e isso nos faz crer que estamos no centro da vontade de Deus. Depois, ganhamos muitos amigos e famílias aqui no Brasil. Em momentos difíceis foram brasileiros e colegas missionários que estavam do no nosso lado nos dando ajuda. Para mim, o momento mais difícil foi quando tínhamos de transferir o meu marido depois de um acidente de Bom Jesus com um Aero Taxi para Belém. Segundo os médicos, chegamos a tempo para ele não perder a perna acidentada. Os meninos eram ainda todos pequenos, mas nesse exato momento tínhamos uma jovem professora conosco que tomou conta dos meninos enquanto eu fui com Beat para Belém.

4. Em congressos missionários podemos ver claramente Deus despertando jovens para o chamado missionário. Que conselhos vocês dariam para esses jovens missionários que desejam trabalhar com missões, especialmente no sertão?
Beat: A urgência é grande, mas jamais devemos rejeitar um bom preparo e uma maior qualificação, por causa disso, não há nada melhor e mais importante em nossas vidas do que nos dedicarmos na obra do Senhor. Vale a pena!
Ursula: Coloquem em cada situação Deus em primeiro lugar e todas essas coisas (do dia a dia) vão ser resolvidas. Às vezes, nos deixamos nos levar pelo trabalho, mas é muito importante ter cada dia um tempo com Deus, ler a Bíblia e orar.

5. E por falar em sertão, por que o sertão nordestino, apesar dos seus enormes desafios, ainda é uma das poucas opções para Missões?
Beat: A fidelidade à tradição não permitiu por décadas, que o evangelho se espalhasse muito no meio do povo. Hoje, por causa da globalização e da internet, a cultura está se mudando muito rápido e o povo está se abrindo para o evangelho. Essa abertura também traz muitos problemas e misérias. A droga está tomando conta dos jovens sertanejos que têm pouca ou nenhuma perspectiva para suas vidas. Milhões vivem isolados e distantes de cidades e a igreja de Cristo ainda não percebeu seu papel de levar o evangelho também para a sua zona rural.
Ursula: Eu acho, que muitas vezes, falta a renúncia total dos jovens. Fazer missões não é uma profissão, é uma vocação!

6. Em Maio vocês retornarão para a Suíça. Continuarão trabalhando com Missões? Quais são seus projetos a longo e curto prazo?
Beat: Nada é definido, ou seja, a Ursula vai, a princípio, ganhar o pão de cada dia. Eu vou primeiro analisar e sondar possibilidades. Eu vejo que poderia divulgar a necessidade de missões no sertão nas igrejas brasileiras, mas também ajudar no preparo de novos missionários.
Ursula: Missão sempre vai ter um lugar especial no meu coração, agora na Suíça. Eu estou procurando um trabalho como professora. Meu campo missionário vai ser a escola oficial da Suíça, alunos e colegas.

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