Do Paraguai para o Sertão: jovem encara o desafio de pregar no Sertão

12/05/2015
in Blog

A primeira vez que escutei sobre o sertão foi no acampamento de Cima 2015, onde o senhor Beat Roggensinger palestrava sobre os povos não alcançados no Brasil. Eu havia decidido ir a este acampamento para me preparar melhor
para um trabalho missionário no meu país. Sou Paraguaia com muito orgulho, com certa ascendência Alemã. Meu nome é Lorina Goetz, tenho 23 anos e desde bem pequena senti um interesse missionário muito forte e meu foco sempre era exclusivamente no meu próprio país, meu querido Paraguai.

Lorina

Lorina

A palestra do Missionário Beat me comoveu muito. Pela primeira vez escutei que existem pessoas no Brasil, que são consideradas “não alcançadas” pelo Evangelho da Salvação. Senti-me tocada, principalmente,
porque no sertão menos que um por cento dos habitantes da zona rural (14 milhões) são cristãos. Foi um choque para mim.

Assim, foi crescendo o meu interesse e inquietude notáveis pelo sertão. Fiquei impactada e o Espírito do Senhor falava comigo e me desafiava a desbravar um lugar, no qual eu não conhecia e me parecia longe demais para alcançá-lo em algum momento da minha vida. Deus com sua grande graça havia preparado já de antemão um jovem, que estava separando certa quantidade de dinheiro para dá-lo a Deus e era justamente a mesma quantidade que eu precisaria para ir e voltar do sertão. Ele soube da viagem e me enviou o dinheiro que necessitava. O impossível começou a fazer realidade e percebi que Deus queria que eu fosse para o sertão, embora que não entendia qual a razão.

Parecia que a partir deste momento tudo seria fácil, mas foi o contrário. Priscila (colega de viagem) e eu saímos no sábado cedo para chegar a tempo no aeroporto. Depois de fazer todos os trâmites necessários, confiantes pegamos o ônibus pensando chegar pontualmente no aeroporto de Foz de Iguaçu. Por algumas inconveniências fomos impedidos e chegamos tarde ao aeroporto. Nós estávamos crendo que era a vontade de Deus que fossemos ao sertão, e que por esta razão, o vôo iria nos esperar de alguma maneira. Ao chegar ao aeroporto, uma voz na minha mente me dizia: “Lorina, não importa o que vai acontecer no aeroporto, você vai a chegar ao sertão”. Eu não entendia a princípio, o que Deus estava falando, mas tinha a plena convição de que Deus estava fazendo algo para que o avião nos esperasse. Ao chegar ao aeroporto, confrontamos com a triste realidade de o vôo já havia decolado.

Deus permitiu que o avião decolasse e que eu e Priscila chegássemos tarde. Apesar das barreiras, não nos deixamos vencer pelo desânimo e tentamos reservar o próximo vôo, mas para isso tínhamos que pagar uma “pequena” diferença de R$ 700 reais. Nós não tínhamos este dinheiro, viajamos praticamente sem nada. Dessa maneira foi impossível comprarmos passagens para o próximo vôo. Era impossível entrar em contato com alguém conhecido, e também com o missionário Beat, porque nosso celular não funcionava.

Depois de um tempo, encontramos uma pessoa que nos emprestou seu celular e pudemos nos comunicar com o missionário, que nos encorajou a fazer todo o possível para chegar ao sertão. Nossa fé foi provada de grandes maneiras. Subiu o valor do voo até R$ 1400 reais. Passamos duas horas no aeroporto sem a possibilidade alguma de poder viajar no próximo vôo.

Depois de três horas, (que foi um tempo de muita oração e leitura bíblica), já não tínhamos esperança alguma de chegar ao destino, e seriamente me perguntei se Deus realmente queria que eu fosse. Nessa mesma hora recebemos uma ligação no aeroporto, e fomos informados que os missionários iriam pagar o próximo vôo. No dia seguinte, na mesma hora, estávamos no avião rumo ao sertão. Priscila e eu estávamos com grandes expectativas e com uma pergunta: Qual foi o motivo? Por que o inimigo impediu tanto que viajássemos?

No sertão fomos confrontadas várias vezes com esta mesma pergunta, porque ao nosso parecer não tínhamos tanto potencial para ser missionárias no sertão. Éramos duas meninas. Não falávamos português e realmente não sabíamos o que fazer ali, mas logo me apaixonei com o lugar, nos levaram a casa de uma missionária solteira. Alí, vivemos no quintal de uma família pastoral que nos atendeu de um jeito muito especial. A missionária solteira está realizando o trabalho missionário. A cada dia ela andava de moto sozinha para realizar as visitas nos diferentes lugares, como também no interior que está à uma hora de viagem da casa missionária.

No primeiro dia fomos de moto para um vilarejo do interior. Ali visitamos as diversas casas e as pessoas nos recebiam com muito amor. Foi surpreendente para mim. Nós não pregamos para as pessoas, não as evangelizamos. A missionária Eloiana me explicou que ela primeiramente necessitava fazer contatos com as pessoas, ganhar sua confiança e amizade, porque de outra maneira não iriam receber a palavra de Deus. As pessoas, na maioria, eram mulheres e crianças, já que seus esposos estavam em São Paulo por questão de trabalho, e voltavam somente umas três vezes ao ano para ver à família. A necessidade de amor que revelava este lugar era tremenda. Foi um tempo lindo que passamos nestas casas, e para nossa surpresa, recebemos um convite para almoçar na casa de uma mulher idosa, que nos mostrou todo seu carinho por nós.

No dia seguinte, acompanhamos a missionária Eloiana em suas visitas no bairro da pequena cidade sertaneja “Barão de Grajaú” onde ficamos hospedadas. Ali fizemos visitas, brincamos com as crianças e compartilhamos a Palavra de Deus. Uma experiência muito surpreendente e o que me chamou a atenção é que as pessoas entendiam “meu português”. Eu pude estudar bíblia com as pessoas, explicá-las, inclusive poder pregar a elas e sempre recebi a mesma resposta: “entendemos tudo o que você falou”. Até hoje, não sei como foi possível isso, porque supostamente não falo português, mas as pessoas me entendiam. A pergunta era: como isso era possível?

Assim, passamos os dias fazendo muitas visitas e programações com as crianças, porém, em meio de muitas experiências lindas, seguiLorina 2a minha pergunta que eu tinha desde o início: Qual era a razão de que Deus me chamou ao Sertão? Por que não vi nenhuma mudança extraordinária em ninguém depois de ter falar comigo? Também não vi ninguém aceitando a Cristo, pelo menos não visivelmente. Mas, ao passar dos dias, pude perceber qual eram as razões dessa obra sobrenatural de Deus no aeroporto:

  1. Deus estava cumprindo um sonho e estava me desafiando. Eu tenho desde pequena um chamado para as missões e Sertão era assim, como eu sempre havia imaginado “meu lugar missionário” e junto com a missionária fazíamos justo “o trabalho” e eu sempre me imaginando fazendo o mesmo como a missionária. Fui confrontada com a pergunta, se eu estaria disposta para um trabalho missionário parecido como do Sertão.
  2. A missionária estava muito desanimada de fazer sozinha, todo o trabalho. Ela viaja muitas vezes, horas para chegar aos povos no interior, e estava enfrentando com o desafio de fazer amizades com as pessoas, de ganhar a confiança delas, porque em este lugar tem muitas pessoas desconfiadas, por prévias experiências dolorosas. Ela expressou ânimo ao ver eu e Priscila. Ela pôde renovar suas forças e sua visão para seguir este trabalho tão importante.
  3. Sertão é um lugar que está fortemente marcado no coração de Deus. Eu percebi que no Sertão é um lugar bastante esquecido, especialmente pelos missionários e igrejas evangélicas, mas não de Deus. Ele trata de levar as pessoas naquele lugar para que vejam a realidade de tanta gente que não conhece, nem tem a possibilidade de ir a uma igreja evangélica. Eles se chamam de “católicos”, mas a maioria não frequentam nenhuma igreja católica e muitos menos lêem a Palavra de Deus em casa. Suspeito que nem sequer tem uma Bíblia à sua disponibilidade. Nos povoados que visitamos no interior, não vi nenhuma igreja católica. Deus deseja que cristãos conheçam o Sertão para que essas pessoas que são tão hospitaleiras e amáveis possam conhecer a Cristo. E especialmente as pessoas do interior que estão sofrendo a ausência do pai e do marido, necessitam do carinho de Deus como de pai e acompanhante, para serem curados de todas as feridas causadas pelas diferentes situações vividas.

Agradeço imensamente a Deus por ter me dado à possibilidade de viajar para Sertão. Pude conhecer um lugar com muita gente que não conhece ainda Cristo e não entende a obra de Cristo na cruz. Eles estão completamente cegos! Pude ser uma ferramenta para revelar algo nesta verdade. Conheci o que é um trabalho missionário e afirmar mais uma vez o chamado que Deus tem para mim. Eu não sei se Deus me vai levar de volta ao Sertão, se eu irei ver outra vez estas pessoas com os quais pude estabelecer amizades, mas o que sei é que Deus tem um grande propósito com o Sertão. Minha oração e desejo é que Deus chame pessoas para realizar esta grande obra de semear a palavra de Deus nestes povos não alcançados.

Para todos que estão lendo meu testemunho, que sentem uma inquietude para Sertão, quero animá-los a ir e visitarem, e se Deus lhes chama para fazer missões naquele lugar, lhes peço que respondam com obediência.

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