Jovens seminaristas descrevem experiência de estágio no sertão

29/08/2015
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DSC_1370A ProSERTÃO em parceria com IMPV (Palavra da Vida de Benevides-PA) oeferece anualmente para os jovens seminaristas, um estágio de duas semanas em igrejas parceiras na zona rural para que experimentem e conheçam mais do sertão, bem como sua cultura. Esse ano, foi a vez dos jovens Evelyn, de São Paulo; Silas, do Rio Grande do Sul; Vitória, do Maranhão (MA) – do segundo ano do seminário IMPV.

Durante estágio eles tiveram a oportunidade de conhecer alguns povodos do município de Sento Sé, na Bahia, entre eles o povoado Retiro de Cima, Lagoa Fechada, Junco e Piri. “O que sentimos como equipe com as pessoas que tivemos contato foi a recepção doadora de cada um. Havia visitas marcadas, mas a medida da nossa aproximação com as pessoas, estas solicitavam visitas em seus respectivos lares ou de parentes próximos. Percebemos que as pessoas são carentes de alguém que se interesse por elas, sendo assim, os crentes e não crentes tinham prazer em nos receber e nos ouvir falando do Evangelho”, disseram os seminaristas, durante visita ao povoado Retiro de Cima.

E continuaram: “Em nossa última tarde tivemos o privilégio de estar entre os “Sem Terra” e ali tivemos um contato com as crianças e com os adultos enquanto estavam realizando seus afazeres diários. No mesmo dia, pudemos celebrar um culto no lar de um deles. Em meio a conversas percebemos que na simplicidade e até limitação haviam entendido o Evangelho (não por nós). Embora estivéssemos cansados fisicamente das viagens, sentimos o Senhor nos fortalecendo em cada visita e programação realizada. A recepção da família pastoral também nos deixou grandes marcas e muito aprendizado. Eles nos serviram com o seu melhor”.

Outro povoado que refletiu muito bem a receptividade e hospitalidade daquele povo foi o de Lagoa Fechada. “Este povoado é o anseio de um inicio de trabalho. No momento o Pr. Vanderley e família, com alguns membros fazem um trabalho de evangelização uma vez ao mês; já existe um casal convertido, e neles é possível perceber que eles querem alguém morando perto deles para ensinar sobre a Bíblia. Nosso tempo com eles foi muito rápido, mas na simplicidade e carinho demostrado do Sr. Luizinho e Dona Zita, (casal já convertido) foram extremamente cativantes, e o amor deles por nós fez que nos sentíssemos parte da sua família”.

No entanto, segundo os seminaristas, o analfabetismo ainda é um agravante na localidade, tanto dos idosos, quanto dos jovens. “Neste povoado nos chamou a atenção da presença do analfabetismo tanto quanto dos mais velhos quanto dos novos, sendo assim fizemos o livro sem palavras e Deus capacitou a Vitoria para transmitir a mensagem de tal modo que todos ficaram atentos para a mensagem. Entregamos as pulseiras com as cores da história para cada um que estava ali presente. Percebemos que todos gostaram deste presente, e vimos vários adultos atando as pulseiras na medida em que entregávamos. Ficamos surpreendidos ao ver o Pr. Presidente da ICE com mais dois irmãos chegar para participar do culto. O Pr. Alan e mais os dois irmãos ficaram apenas naquela noite, na manha seguinte logo após o café voltaram para Sento Sé, e esta preocupação e carinho por aquele povoado da igreja mãe marcou nossas vidas”.

No povoado Junco, o carinho e simplicidade das pessoas foi o que mais chamou a atenção dos missionários. “Como equipe, ficamos impactados com o carinho das pessoas por nós, pois houve momentos que alguns deles nos deram a comida do seu prato para nós. Em cada casa visita a atenção das pessoas foi profunda, além do mais nos impressionamos com a paixão que obreiro tem por aqueles povoados, nos cincos dias juntos com ele, vimos a sua disposição em estar compartilhando do Evangelho de Cristo. Visitamos algumas escolas e foi lindo ver o interesse que as crianças têm por conhecer mais de Cristo e também por carecerem de uma necessidade de acompanhamento familiar, tanto em sua vida escolar como pessoal. Para nós, foi um tempo muito bom com a família para animá-los e encorajá-los a continuar no ministério, mas mantendo o foco em Cristo. Ver a simplicidade e a dedicação em meio à escassez foi um exemplo de que é Deus quem dá alegria e dedicação no ministério”.

Em Piri, o agir de Deus foi tremendo, especialmente com relação às crianças. “Louvamos a Deus pelo pouco tempo que passamos com o Pr. Josevaldo e esposa. Embora estivéssemos cansados, sentimos o carinho e amor do casal e da igreja. Ficamos impressionados com o agir de Deus apesar de nossas vidas. Quando estávamos nas escolas, pregando o evangelho, as crianças estavam muito agitadas, mas na medida em que explanávamos a palavra de Deus elas foram aos pouco se acalmando e assim vemos Deus do nosso lado. Além do mais, em uma das escolas visitadas, a missionária Vitória pregou o evangelho com o quadro cênico aos pré-escolares. As crianças ficaram comportadas, e no final as professoras nos relataram o quão importante foi esse tempo com as crianças, pois até então não haviam conseguido a atenção delas, no final nos pediram que voltássemos para ensinar a Bíblia para seus alunos. Uma das visitas que podemos destacar foi em uma casa onde ficamos menos de dez minutos e ali o missionário Silas fez apenas uma oração, depois do “Amém” o dono da casa comentou que aquele foi o melhor momento do dia”.

E comentaram também do carinho da igreja em recebê-los. “Também ficamos impressionados com o carinho da Igreja local. Ela estava ansiosa por nossa chegada, e quando chegamos estavam extremamente felizes em nos receber. Embora estivéssemos cansados e não conseguíssemos cumprir toda expectativa que eles tinham por nós, aqueles irmãos nos ensinaram a servir e amar os outros. O Pr. Josevaldo nos contou um testemunho que nos impactou, certa vez ele viajou e passou na igreja às três horas da manha e ela estava limpando a igreja, pois as seis da manha ela tinha outro compromisso, o Pr. falou a ela que não era necessário fazer isso, mas ela retrucou dizendo “Pastor, eu não sei pregar, cantar, tocar algum instrumento, eu só sei limpar, por isso me deixar servir a Deus dessa maneira.”, para nós isso foi profundo e marcante em ver a simplicidade e sinceridade de uma pessoa que ama o Senhor”.

Os jovens concluíram o estágio na certeza de que além de conhecer os costumes e cultura do povo local, levariam para casa também uma grande bagagem de amor, carinho e dedicação de um povo tão simples, mas hospitaleiro, característica única dos sertanejos nordestinos. “O que podemos concluir deste estágio é que Deus nos ensinou a amar pessoas, sendo amados por elas”.

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